Fibra para Biomanta › DNIT 074/2006-ES
Normas técnicas · DNIT · Bioengenharia

Biomanta de coco e a norma DNIT 074/2006-ES: o que construtoras precisam saber

A norma codifica a biomanta como o padrão técnico federal para controle de erosão em taludes de rodovias — mas com nuances importantes que todo especificador deve conhecer antes de montar um edital.

14 min de leitura · Atualizado em setembro de 2026 · fibraparabiomanta.com.br

Resposta rápida

A DNIT 074/2006-ES é a Especificação de Serviço federal que define procedimentos, materiais, medição e pagamento do tratamento ambiental de taludes e reconhece a manta biodegradável de coco como solução padronizada — sem torná-la obrigatória pelo nome e sem fixar gramatura ou resistência à tração. A medição é feita em m² pela superfície inclinada e o pagamento sai em duas parcelas de 50%: após a instalação e após a cobertura vegetal aceita pela fiscalização. É leitura obrigatória para quem monta editais e projetos de rodovias federais e estaduais; os números de 300, 400 ou 500 g/m² devem vir dos catálogos dos fabricantes, não da norma.

Quando um engenheiro de obra de rodovia especifica biomanta de coco para proteção de talude, existe uma norma federal que organiza essa especificação, define o método de medição e estabelece como o serviço será pago. Essa norma é a DNIT 074/2006-ES — Tratamento ambiental de taludes e encostas por intermédio de dispositivos de controle de processos erosivos — Especificação de Serviço.

O que a norma faz — e o que ela não faz — é o que separa a especificação técnica competente do equívoco que depois gera aditivo ou reprovação na medição. Este guia explica os pontos críticos para profissionais que trabalham com licitações, projetos e execução de obras de bioengenharia em rodovias federais e estaduais.

Fibra longa de coco — matéria-prima para fabricação de biomanta de controle de erosão
Fibra longa de coco seco: matéria-prima principal da biomanta de coco. A qualidade da fibra (comprimento, umidade, uniformidade) determina a resistência e a longevidade do produto final.

O que é a DNIT 074/2006-ES e o que ela especifica?

A DNIT 074/2006-ES é uma Especificação de Serviço (ES), não uma lei e nem um decreto. Ela define os procedimentos, materiais, medição e pagamento para o serviço de tratamento ambiental de taludes e encostas, e integra a coletânea de normas do Instituto de Pesquisas Rodoviárias (IPR). Foi aprovada pela Diretoria Colegiada do DNIT em reunião de 11 de julho de 2006.

A norma abrange diversas técnicas de bioengenharia simultaneamente: diques de bambu, septos de rip-rap vegetado, bermas de contenção de sedimentos e, entre elas, as mantas biodegradáveis — categoria que inclui a biomanta de coco. Ela não é uma norma exclusiva de biomanta.

Nota de precisão: a biomanta de coco não é mencionada pelo nome como obrigatória na DNIT 074/2006-ES. O que a norma estabelece é que quando um contrato de obras rodoviárias requer tratamento ambiental de talude — como praticamente todos os contratos federais exigem por condicionante de licença ambiental — a biomanta é a solução técnica reconhecida e padronizada pelo DNIT para erosão em corte e aterro, com execução, medição e pagamento codificados. É essa padronização que cria o fluxo de demanda para fornecedores de fibra.

O que a norma considera "manta biodegradável"?

Para a DNIT 074/2006-ES, manta biodegradável é o produto definido no parágrafo 3.7, que traz a definição oficial: "São produtos industrializados constituídos por fibras têxteis ou geotêxteis, flexível e espesso de fibras vegetais desidratadas (capim ou coco), entrelaçadas por meio de costura industrial ou adesivos biológicos, utilizando-se na costura fios resistentes degradáveis de polipropileno."

Três elementos técnicos importantes dessa definição:

A DNIT 074 exige gramatura, comprimento de fibra ou resistência à tração?

Não — a norma não fixa nenhum desses valores, e este é o ponto que mais surpreende especificadores novos no tema. A DNIT 074/2006-ES, no seu §2.1, traz uma nota explícita: "Quanto à referência de mantas e telas vegetais e por se tratar de serviços executados por firma especializada em proteção ambiental, deverão ser consideradas as recomendações técnicas dos fabricantes."

E o §5.1.3 reforça: "São produtos encontrados usualmente no mercado... devendo-se consultar os manuais técnicos dos produtos quanto a qualidade, a resistência, e ao suporte aos esforços físicos."

Na prática, isso significa que não existe um número de gramatura (g/m²) ou resistência (kgf/m) exigido diretamente pela DNIT 074/2006-ES. Os parâmetros que você vê em editais — 300 g/m², 400 g/m², 1 ou 2 telas PP — vêm das especificações dos fabricantes, adaptadas pelo projetista de acordo com a inclinação e as condições do talude, conforme a boa prática de engenharia e referências como as normas ASTM adotadas pelos fabricantes líderes (Deflor, GW Fibras, Minas Gramados).

Máquina em obra de talude íngreme — contexto de instalação de biomanta em rodovia
Obra em talude íngreme: a inclinação é o principal fator de decisão sobre a gramatura da biomanta. Taludes acima de 30° exigem produto reforçado (400–500 g/m² + malha PVC), não previsto numericamente pela norma mas definido pelo projetista com base em catálogos técnicos dos fabricantes.

Como a biomanta é medida e paga em obra do DNIT?

A biomanta é medida em m² pela superfície inclinada e paga em duas parcelas de 50%, conforme as seções 7 e 8 da norma. A área tratada com biomanta é medida em metros quadrados (m²), seguindo a superfície inclinada do talude, não a projeção horizontal. Isso é relevante em obras com taludes de alta inclinação, onde a diferença pode chegar a 30–40% da área coberta.

O pagamento é dividido em duas parcelas:

  1. 50% após o plantio e instalação da biomanta, com aprovação da fiscalização (FISCALIZAÇÃO).
  2. 50% após a cobertura vegetal estabelecida, aceita pela FISCALIZAÇÃO em segunda medição.

Esse modelo de pagamento escalonado é relevante para fornecedores de fibra, porque o prazo de recebimento do cliente final (biomanta manufacturer ou empreiteira) depende da aprovação da segunda medição — podendo se estender meses após a instalação.

Quais produtos aparecem no Anexo A da DNIT 074?

Todos os produtos fotografados no Anexo A são da Deflor Bioengenharia — um dado pouco conhecido, mas estrategicamente relevante. O Anexo A (fotográfico) da DNIT 074/2006-ES cita e fotografa produtos comerciais específicos em uso real em obras do DNIT. Todos os produtos citados são marcas da Deflor Bioengenharia:

Isso coloca a Deflor em posição de vantagem competitiva estrutural: seus produtos são a referência fotográfica oficial da principal norma de biomanta do sistema DNIT. Para fornecedores de fibra que desejam vender para fabricantes de biomanta no Brasil, conhecer o padrão Deflor é conhecer o padrão de mercado.

Como a DNIT 074/2006-ES está estruturada?

A DNIT 074/2006-ES tem 24 páginas e está dividida em 8 seções e 2 anexos:

  1. Objetivo — reduzir custos de manutenção e controlar erosão via bioengenharia
  2. Referências normativas e bibliográficas (inclui DNER-ES 341/97 e DNIT 001/2002-PRO)
  3. Definições — inclui §3.7 (mantas biodegradáveis)
  4. Condições gerais
  5. Condições específicas — materiais, execução (§5.4.2.d: aplicação de biomantas)
  6. Controle e inspeções
  7. Medição — área em m² pela superfície inclinada, em dois estágios
  8. Pagamento — 50%/50% nas duas medições

Anexo A: álbum fotográfico de instalações reais (produtos Deflor identificados). Anexo B: diagramas ilustrativos dos dispositivos de contenção.

Quais normas complementam a DNIT 074 na especificação de biomanta?

Além da 074, dois grupos de normas complementam a especificação de biomanta e cobrem o que ela não abrange:

Referência completa (ABNT NBR 6023)

DEPARTAMENTO NACIONAL DE INFRAESTRUTURA DE TRANSPORTES. DNIT 074/2006-ES: Tratamento ambiental de taludes e encostas por intermédio de dispositivos de controle de processos erosivos — Especificação de serviço. Rio de Janeiro: IPR/Diretoria de Planejamento e Pesquisa, 2006. 24 p. Disponível em: <https://www.gov.br/dnit/pt-br/assuntos/planejamento-e-pesquisa/ipr/coletanea-de-normas/coletanea-de-normas/especificacao-de-servico-es/dnit_074_2006_es.pdf>. Acesso em: 29 ago. 2026.

Perguntas frequentes

A DNIT 074/2006-ES obriga o uso de biomanta de coco?

Não. A norma é uma Especificação de Serviço que abrange várias técnicas de bioengenharia e não cita a biomanta de coco pelo nome como obrigatória. Ela a reconhece como solução padronizada, com execução, medição e pagamento codificados, para tratamento ambiental de taludes de corte e aterro.

A norma define gramatura ou resistência à tração da biomanta?

Não. Os §2.1 e §5.1.3 remetem às recomendações técnicas dos fabricantes. Os valores de 300 ou 400 g/m² e de 1 ou 2 telas PP que aparecem em editais vêm dos catálogos dos fabricantes, adaptados pelo projetista conforme a inclinação do talude.

Como a biomanta é medida e paga em obra do DNIT?

A área é medida em m² pela superfície inclinada do talude, não pela projeção horizontal. O pagamento é feito em duas parcelas de 50%: a primeira após o plantio e a instalação, a segunda após a cobertura vegetal ser aceita pela fiscalização.

O que a norma entende por manta biodegradável?

O §3.7 define manta biodegradável como produto industrializado, flexível e espesso, de fibras vegetais desidratadas (capim ou coco), entrelaçadas por costura industrial ou adesivos biológicos, com fios degradáveis de polipropileno.

Quais normas complementam a DNIT 074 na especificação de biomanta?

As normas irmãs DNIT 071, 072 e 073/2006-ES tratam de revegetação herbácea e arbórea, e as normas ASTM D6475 e D6836 são adotadas pelos fabricantes brasileiros para resistência à tração, durabilidade e absorção de água, já que a DNIT 074 não fixa esses números.

Leia também neste site:

Voltar para fibraparabiomanta.com.br

Referências técnicas

Leitura de base sobre os parâmetros tratados neste guia: